A defesa da democracia, dos trabalhadores e das políticas de combate à pobreza orienta uma carta assinada por 65 bispos brasileiros sobre o segundo turno presidencial, marcado para domingo (25). Sem mencionar os candidatos pelo nome, o grupo critica posições associadas a Flávio Bolsonaro (PL) e defende o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dirigido aos católicos, o documento reúne argumentos da Doutrina Social da Igreja para orientar a escolha dos eleitores. Os signatários afirmam que o cenário exige uma tomada de posição e avaliam que uma das candidaturas ameaça princípios religiosos, a soberania nacional e o bem comum.
Ao tratar da outra candidatura, os bispos reconhecem que ela também está sujeita a críticas, mas atribuem ao atual governo responsabilidade com os pobres, compromisso ambiental e respeito à Constituição. Para o grupo, a insatisfação com a gestão não justifica apoiar propostas que considera incompatíveis com os ensinamentos católicos.

Programas sociais e direitos dos trabalhadores
A carta contesta a ideia de que o mercado, por si só, resolveria a pobreza e defende que mudanças econômicas e tecnológicas respeitem a dignidade dos trabalhadores, a remuneração suficiente e a participação na vida social.
Nesse contexto, os bispos acusam uma das candidaturas de se opor historicamente a programas sociais e de combate à miséria. Também criticam posições contrárias ao fim da escala 6×1 e favoráveis ao pagamento por hora trabalhada, por entenderem que podem comprometer direitos.
As críticas são apresentadas como parte da avaliação dos signatários sobre a disputa presidencial, a partir dos princípios que defendem para a atuação política dos católicos.
Armas, democracia e soberania entram nas críticas
O grupo também condena a tortura e menciona homenagens feitas pela família Bolsonaro a Brilhante Ustra, associando-as a uma postura que considera incompatível com a doutrina da Igreja. Sobre segurança, os bispos rejeitam a ampliação do acesso a armas, apontada no documento como uma ameaça à paz.
Na avaliação dos signatários, um eventual governo de Flávio poderia concentrar poder e colocar em risco a ordem democrática. A carta relaciona essa preocupação à continuidade das ideias do ex-presidente Jair Bolsonaro e à possibilidade de submissão das instituições a um projeto político.
O documento ainda acusa uma das candidaturas de defender interferência estrangeira nas eleições e subordinação aos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão a taxação de produtos brasileiros e a exploração de terras raras por interesses norte-americanos.
Meio ambiente também orienta posicionamento
Na área ambiental, os bispos criticam o que classificam como negação da crise climática e intenção de dar continuidade a políticas de devastação. O texto também menciona a Lei nº 15.190/2025, chamada pelo grupo de “Lei da Devastação”.
A carta começa com uma referência a uma encíclica do papa Leão XIV sobre situações em que a neutralidade seria insuficiente. Ao final, os signatários retomam esse argumento para justificar o posicionamento eleitoral.
A manifestação dos 65 bispos ocorre após a mensagem do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada na quarta-feira (21), e segue a orientação de avaliar as candidaturas à luz dos princípios da Igreja.
fonte: CNBB
