Boi gordo sobe em MS e chega a R$ 379,43 a arroba; escalas de abate seguem curtas

O preço do boi gordo continua em alta em Mato Grosso do Sul. Nesta sexta-feira (23), a arroba média no Estado foi de R$ 379,43, segundo a Scot Consultoria, alta de cerca de 1,7% sobre os R$ 372,95 do dia anterior. Em São Paulo, a média foi de R$ 384,40, contra R$ 384,13; em Minas Gerais, de R$ 378,53, ante R$ 375,29.

Gado em pastagem em propriedade de Bandeirantes (MS). Imagem de arquivo.
Gado em pastagem em propriedade de Bandeirantes (MS). Imagem de arquivo. (Foto: Bruno Rezende)

Em Goiás, a arroba ficou em R$ 370,11, e em Mato Grosso, em R$ 358,92.

Escalas curtas mantêm o mercado firme

O analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias avalia que a alta tem intensidades diferentes entre as regiões. Em São Paulo, a valorização perde força depois dos avanços recentes, e os frigoríficos resistem aos patamares mais altos. Na Região Norte, segundo ele, a alta continua mais intensa por causa da oferta restrita e da necessidade de as indústrias recomporem as programações.

As escalas de abate, o tempo que a indústria tem de animais já programados, permanecem entre cinco e seis dias úteis na maior parte do país. “A dificuldade para alongar as programações indica que o mercado continua vulnerável a novos episódios de alta, inclusive em São Paulo, especialmente se os pecuaristas mantiverem uma postura cautelosa nas negociações”, disse Iglesias.

No atacado, a carne bovina operava com preços inalterados. O analista vê menos espaço para novos reajustes no curto prazo, por causa do menor apelo ao consumo na segunda quinzena do mês e da concorrência da carne de frango, que tem vantagem de preço. O quarto dianteiro é negociado a R$ 22,30 o quilo, o traseiro a R$ 29,50 e a ponta de agulha a R$ 20,75.

Boi magro perde ágio sobre o gordo

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que a diferença entre os preços do boi magro e do boi gordo caiu em outubro em relação a setembro. Segundo o centro, o movimento reflete a valorização mais forte do animal terminado, que está pronto para o abate.

Na parcial do mês até o dia 20, o indicador do boi gordo Cepea/Esalq, baseado em negócios no Estado de São Paulo, está em R$ 376,33 por arroba. Em termos reais, isso é 17,4% acima de janeiro e 6,56% acima de setembro. O Cepea atribui a alta à oferta restrita de animais prontos e às escalas de abate mais curtas.

O boi magro, negociado na região de Presidente Prudente (SP), teve média de R$ 4.618,55 por cabeça na parcial de outubro, 9,2% acima de janeiro em termos reais e 3,2% acima de setembro. Com isso, o ágio do boi magro sobre o gordo está em 2,3%, ante 12,6% no mesmo mês de 2025. Em janeiro de 2026, o diferencial era de 10%, e em abril, de 3%.

O que o mercado viu nesta semana

Na quarta-feira (21), das 33 regiões acompanhadas pela Scot Consultoria, 24 tiveram preços estáveis do boi gordo na comparação diária. Houve altas no sul de Minas Gerais, no sul de Goiás, em Três Lagoas (MS), no sudeste de Mato Grosso, no noroeste do Paraná, no oeste do Maranhão, em Redenção (PA), no Acre e no Rio de Janeiro.

Em Araçatuba e Barretos, em São Paulo, referências para o mercado, a arroba seguiu em R$ 380 para pagamento a prazo. Os embarques de carne bovina para a China ganharam força, o que reforçou a demanda, mas parte dos compradores ainda negociava com cautela e evitava alongar as escalas.

Fontes: Scot Consultoria (preços regionais e comentários do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado) e Cepea/Esalq (boi gordo e boi magro). Valores do Cepea em termos reais, deflacionados pelo IGP-DI.

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