Governo lança Plano Safra da agricultura familiar 2026/27

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 terá R$ 85,2 bilhões em financiamentos. O valor é 9% superior aos R$ 78,2 bilhões ofertados na temporada que terminou nofim do primeiro semestre de 2026 e está acima do pedido inicial feito pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, de R$ 82 bilhões.

Os valores foram anunciados em cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente Lula e a ministra Fernanda Machiaveli. Ao todo, serão destinados R$ 97,4 bilhões para crédito (R$ 85,2 bilhões) e outras políticas para a agricultura familiar.

Serão R$ 40 bilhões para crédito de custeio e R$ 45,2 bilhões em investimentos. Do total ofertado, 52% são de recursos equalizados: R$ 44,4 bilhões. Na temporada anterior, essa modalidade alcançou R$ 43,3 bilhões, no início do Plano Safra, e terminou em R$ 35,6 bilhões após remanejamentos de limites entre linhas.

Os recursos equalizados recebem subvenção direta do Tesouro Nacional, que paga a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos no mercado mais seu spread e a taxa cobrada dos agricultores na ponta. Com isso, as linhas ficam mais acessíveis aos produtores.

O restante dos recursos do Pronaf (R$ 40,8 bilhões) são de recursos controlados, que têm juros fixados e condições definidas pelo governo, mas não recebe a equalização. O dinheiro é oriundo de fontes do direcionamento do crédito rural, como depósitos à vista, e de fundos constitucionais.

Redução de juros

Nas negociações com a equipe econômica e o Palácio do Planalto, o MDA conseguiu ainda a redução nos juros das principais linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os cortes são de 0,5 e 1 ponto percentual. Poucas ações tiveram as taxas mantidas em relação à temporada 2025/26.

O custeio terá juros entre 1% e 7,5% ao ano. No ciclo anterior, a variação foi de 2% a 8%. Ao todo, serão R$ 40 bilhões em financiamentos para custeio, em estabilidade em relação aos R$ 40,2 bilhões da safra 2025/26.

As principais mudanças serão nas linhas estratégicas, destinadas à produção de alimentos básicos, que vão para o consumo direto da população brasileira, como arroz, feijão, mandioca e hortaliças. Os juros serão reduzidos de 3% para 2% ao ano. Já a produção orgânica e agroecológica será novamente incentivada. A taxa foi cortada pela metade, de 2% para 1%.

Já a produção de soja ou de gado de corte cairá menos, de 8% para 7,5%, o teto dos juros do Plano Safra 2026/27. Demais produtos, como milho, café, frutas e outras criações de animais, terão juros de 5,5% ante 6,5% na temporada 2025/26, quando essa faixa de custeio foi criada.

Os cortes mais acentuados mostram o foco do ministério em incentivar a produção agroecológica e de produtos consumidos internamente. Desde 2023 já foram investidos mais de R$2 bilhões para o financiamento de projetos agroecológicos em todas as linhas do Pronaf, informou o MDA.

Também haverá corte geral de juros nas linhas de investimentos. Ao todo, serão R$ 45,2 bilhões para esses financiamentos, aumento de 19% ante os R$ 37,9 bilhões da safra 2025/26.

Outros recursos

O Ministério do Desenvolvimento Agrário também vai anunciar outros R$ 12,1 bilhões que representam aportes federais em compras públicas, seguro e assistência técnica na safra 2026/27. Somados ao crédito (R$ 85,2 bilhões), os valores de recursos disponibilizados para a agricultura familiar chegam a R$ 97,3 bilhões.

Serão R$ 1,1 bilhão para o Garantia-Safra, R$ 6,6 bilhões para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), R$ 3,6 bilhões para compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), R$ 749 milhões para ações de assistência técnica e extensão rural e R$ 20 milhões para o Programa de Garantia do Preço Mínimo de Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).

Fonte: Rafael Walendorff, Globo Rural.
Foto: Thiago de Jesus

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